Por que as imagens são cobertas no fim da Quaresma?
As imagens cobertas no fim da Quaresma com panos roxos têm uma razão simples: ajudar a comunidade a se concentrar na espera da Páscoa, deixando de lado por alguns dias o que pode distrair o olhar. É um costume antigo, ligado à chamada “Semana da Paixão”, que prepara o coração para a Semana Santa e a contemplação do sofrimento e da morte de Cristo.
O que a Igreja prevê hoje
O Missal Romano, na sua terceira edição usada no Brasil, prevê que as cruzes e imagens podem ser cobertas a partir do 5º domingo da Quaresma, se a Conferência dos Bispos assim decidir. As cruzes ficam veladas até o final da celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa. Já as demais imagens permanecem cobertas até o começo da Vigília Pascal, na noite de sábado.
Por ser um costume facultativo, você verá igrejas que cobrem tudo com tecidos roxos e outras que mantêm as imagens à vista. As duas práticas estão corretas.
De onde vem esse costume
A origem está ligada à antiga divisão da Quaresma. As duas últimas semanas antes da Páscoa eram chamadas de “Tempo da Paixão”, e os textos das leituras passavam a falar mais diretamente do conflito de Jesus com seus opositores e da aproximação de sua morte.
Cobrir as imagens marcava visualmente essa mudança de clima. A liturgia se torna mais sóbria: cantos de alegria desaparecem, o “Glória” já não é mais entoado desde a Quarta-feira de Cinzas, e agora até as figuras dos santos se recolhem sob o pano.
O sentido espiritual do gesto
Um jejum dos olhos
Assim como o jejum priva o corpo de alimento, velar as imagens é como um jejum dos olhos. Ao tirar de vista as belas representações de Cristo e dos santos, a Igreja nos faz sentir falta delas. Esse vazio tem um propósito: aumentar o desejo e a expectativa pela manifestação plena na Páscoa.
A glória escondida
Há também um sentido mais profundo. Naqueles dias, Jesus já não andava abertamente entre o povo, pois procuravam matá-lo. Sua glória ficou, por assim dizer, escondida sob a aparência de um condenado. Cobrir as imagens nos lembra disso: a divindade de Cristo permaneceu velada na Cruz, até resplandecer na ressurreição.
O momento em que tudo se revela
A espera tem seu desfecho. Na Sexta-feira Santa, durante a adoração da Cruz, o sacerdote desvela aos poucos o crucifixo cantando “Eis o lenho da Cruz”. E na Vigília Pascal, quando a igreja se enche de luz e o “Glória” volta a ser cantado depois de tantas semanas, as imagens dos santos reaparecem em festa. O contraste é proposital e poderoso.
Perceber esses detalhes transforma a maneira de viver a Semana Santa, e o Missário 2026 ajuda a acompanhar essas mudanças semana a semana, com as leituras de cada domingo e espaço para anotar o que tocou o coração.
Vivendo a Quaresma com mais atenção
O costume de cobrir as imagens é um convite a olhar para dentro. Se a sua paróquia adota essa prática, deixe que o pano roxo fale ao seu coração: estamos numa travessia, caminhando com Cristo rumo à Cruz e à vida nova. Para entender melhor todo esse percurso, vale conhecer como fazer uma boa confissão e chegar à Páscoa com a alma preparada.